quarta-feira, outubro 17, 2007

Fernando Pessoa


Boas noites! É com todo o prazer que anuncio que irei realizar um ciclo de posts dedicados à poesia!
Assim, irei postar diferentes poetas, portugueses ou estrangeiros, que ache pertinente. Por outro lado, gostaria que vocês os pudessem comentar, assim como, mandar-me via e-mail poemas que achem de alguma forma interessantes.
Fernando Pessoa foi o poeta escolhido para o arranque deste ciclo. Espero que gostem e desfrutem... A fonte é o site www.revista.agulha.nom.br e o arquivo é deveras grande.

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa

Menezes ou a incógnita pedrada no charco


Pois meus amigos, os primeiros dias de Luís Filipe Menezes (LFM) à frente do PSD revelaram, a meu ver, um ponto positivo: pelo menos deixaram de estar todos, governo e oposição, a dizer o mesmo por palavras diferentes, ou a dizer mal só porque “faz parte”, mesmo que se tenha defendido a causa do opositor no passado. Parece (parece) haver aqui uma visão diferente, em termos de projecto político, com LFM. Será um discurso neo-liberal com retórica social de consistência duvidosa? Talvez. Mas que seja então um discurso neoliberal de retórica social de consistência duvidosa. Marques Mendes e Sócrates são os dois do mesmo partido, estavam só a fazer o jogo político. Menezes ao menos tem (parece) uma visão diferente das coisas. Ou seja: (parece) haver uma alternativa política. Haverá por onde escolher. Já não é só uma questão de caras. E isso, meus amigos é interessante, politicamente. A alternativa, em si, é positiva. Claro que não basta, é preciso que… funcione… e que funcione melhor que o 4x4x2 de Sócrates. Mas isso estamos cá para ver.

Dito isto, acho que a questão da (in)compatibilidade da liderança do partido com a presidência da câmara de Gaia foi muito mal decidida: já não falando do “timming” da coisa, é óbvio que o presidente do PSD, que por inerência prática é candidato a primeiro ministro, aquele que entre os 10 milhões de portugueses está mais perto de suceder a Sócrates, é óbvio – dizia - que não pode ter tempo para mais nada senão fazer oposição e formar um governo sombra. É trair Gaia? Então não se candidatasse. O que não se pode é ter um líder de oposição em “part-time”, para mais quando nem está na AR.

Ou seja, uma no cravo outra na ferradura. Se eu fosse o nosso prof. Marcelo dava-lhe 13 lol.

Já que me pus na pele de professor, vai um TPC. Tipo…

Complete as seguintes frases com pelo menos dois dados objectivos….

“Menezes é um político populista porque…”

“Mendes era um líder fraco porque…”

E esta, para quem não fez os trabalhos das férias grandes:

“Sampaio mandou Santana às malvas porque…”

Isto para dizer o que? Que me dá a nítida sensação que às vezes embarcamos todos em “clichés” sem grande fundamento, à boleia dos jornaleiros (er…). Claro que posso fazer o tpc também e mandar umas larachas mas acho mal engavetar as pessoas do género “Luís Populista Menezes”, “Luís Líder Fraco Mendes” ou “Santana Trapalhão Lopes”. É fácil mas falta muitas vezes à verdade. E perdemos todos. Como diria o outro “há mais entre o céu e a terra do que imagina a tua vã filosofia”. Que bem que fica uma citação no fim de um post.

Abraços

João Pedro Marques